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HARUO OHARA
Fotografia preta e branca de uma cena do filme. Um lavrador japonês numa plantação de café e uma mulher ao fundo. Aqui na frente, quase de perfil esquerdo, do joelho para cima, ele está com chapéu de palha, uma blusa clara de manga comprida e calça cinza. Tem o braço esquerdo estendido para este lado, enquanto observa. Uma luz branca ilumina o braço e o rosto dele. Pequena, ao fundo, à direita, a mulher está de perfil esquerdo também. Ela usa um lenço, amarrado na nuca, uma blusa de uniforme, com a borda da manga branca e uma saia abaixo do joelho. Está cabisbaixa e aperta a saia na lateral. Ela está sombreada. Alinhado à plantação, o céu é de um branco estourado.
Direção:
Rodrigo Grota
PR, 2010, FICÇÃO, 16 min., Cor/P&B, DCP/H264
Classificação indicativa:
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Sinopse:

HARUO OHARA, de Rodrigo Grota

Sinopse: Registro poético da vida do imigrante, agricultor e fotógrafo japonês Haruo Ohara. Paralelamente à vida rural, ele produziu quase 20 mil fotos de Londrina, no Paraná, tornando-se uma referência estética e histórica do local.

Crítica: Rodrigo Grota faz um ensaio sobre Haruo Ohara, lavrador japonês e fotógrafo com um trabalho tão desconhecido quanto fascinante. Só que em vez de fazer um ensaio por meio de imagens de arquivo (que seria uma inclinação quase natural, dado que ele fala de um fotógrafo de outra época já falecido), Grota se aplica a recriar e tornar vivo o universo do Haruo Ohara, ou seja, a gênese de seu trabalho, a matéria de seu olhar. Temos, portanto, encenações da situação cotidiana de sua família, seu trabalho e, claro, algum material de arquivo que, além de ser integrado ao filme, é reconstituído como cena.

Acontece que, adotando esse caminho, ele nos coloca em uma posição delicada: a de desconfiar de sua beleza. Existe uma beleza plástica avassaladora no filme, resultado de um trabalho talentoso e cheio de esmeros do fotógrafo Carlos Ebert. Corre o risco de ser meramente um discurso sobre a beleza.

Acontece que em Haruo Ohara essa desconfiança do olhar - que pode ser tão inócua quanto uma mera impressão - se desfaz em uma segunda instância: o filme não é belo pelo que ele apresenta em termos plásticos, mas porque ele consegue, por seus meios (não só os plásticos), nos integrar àquelas imagens. Pode ser um expediente bastante questionado por quem não acredita que alguns filmes possam lançar suas bases primeiras por meio do lúdico e do fascínio de um universo que existe na conjugação entre a criação mimética do universo do fotógrafo e a contemplação ativa do diretor sobre suas imagens. O filme de Grota existe a partir da mesma dialética do fotógrafo japonês: entre a beleza do que existe (a natureza) e não precisa de sua intervenção, mas sim de sua compreensão, e a força da sua construção na habilidade de sua intervenção. Por isso, os momentos mais belos do filme são os que Ohara, antes de fazer suas fotos, estuda e se integra aos lugares e paisagens que irá registrar. Antes da forma (do conceito aplicado) vem a relação lúdica e sensorial. (Francis Vogner dos Reis, site Cinética)

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