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ANDRÔMEDA
Fotografia de uma cena do filme. Uma mulher, de costas para nós, da cintura para cima, de cabelos lisos, longos, castanhos claro, usa uma blusa colorida, de manga comprida. Tem na mão direita um cigarro. Ela está diante de um longo corredor, com diversas portas arredondadas nas laterais escuras e no alto, lâmpadas de tubo, em sequencia, acesas.
Direção:
Lucas Gesser
DF, 2022, FICÇÃO, 14 min., Cor, DCP/H264
Classificação indicativa:
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Sinopse:

Um retrato do fim de um relacionamento que percorre a relação contemporânea com o passado, a nostalgia e a falta de expectativas para o futuro.

Crítica: Um fim nunca é fácil. Olhar para os lados e perceber que aquela pessoa ao seu lado não está mais, não é fácil. Se já não é fácil sair de um relacionamento por nossa escolha, contra ela é ainda mais complexo. A sensação de vazio, de desamparo e solidão é inevitável. Esse é o lugar que quer ocupar Andrômeda, a visão sobre uma perda – não importa se recente ou não, o que importa é a ausência ainda presente – que não pode ser substituída por coisa alguma. O que fica é o buraco sendo observado, uma dilaceração interna que não há costura possível; invisível e ao mesmo tempo tátil.

O diretor e roteirista Lucas Gesser, como todos nós, já deve ter passado por esse momento onde a não-existência parece nos chamar. Estamos sem querer estar, e a tradução disso em imagens é feita com a exatidão de quem já viveu isso. Essa busca incessante por algo que não se sabe o que é, um significado, uma resposta sincera para algo que não se encontra explicação. Julia é provavelmente a parte que não queria estar solteira, mas sabemos que o fim é doloroso mesmo quando o desejamos. Essa ausência que vemos em Andrômeda, então, nos leva a que parte da psicologia humana? E o quanto disso é possível de representação imagética?

Enquanto curta-metragem, o filme não encontra um momento largo da existência. É um recorte fugaz do tempo, que já não está mais sendo vivido; somos testemunhas dos dias, dos movimentos. Por isso funciona, o que em duração superior encontraria um vácuo de interesse. Aqui, Gesser sabe perceber que seu recorte não carece de informações adicionais maiores ou profundas; nosso entendimento daquela dor nos coloca em partilha empática. Andrômeda mostra esses momentos imediatamente posteriores ao término, e como essa ausência de sentido promove delírios que, prostrados, não percebemos o impulso adiante de tais eventos. (Francisco Carbone, site Cenas de Cinema)

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