
Um retrato do fim de um relacionamento que percorre a relação contemporânea com o passado, a nostalgia e a falta de expectativas para o futuro.
Crítica: Um fim nunca é fácil. Olhar para os lados e perceber que aquela pessoa ao seu lado não está mais, não é fácil. Se já não é fácil sair de um relacionamento por nossa escolha, contra ela é ainda mais complexo. A sensação de vazio, de desamparo e solidão é inevitável. Esse é o lugar que quer ocupar Andrômeda, a visão sobre uma perda – não importa se recente ou não, o que importa é a ausência ainda presente – que não pode ser substituída por coisa alguma. O que fica é o buraco sendo observado, uma dilaceração interna que não há costura possível; invisível e ao mesmo tempo tátil.
O diretor e roteirista Lucas Gesser, como todos nós, já deve ter passado por esse momento onde a não-existência parece nos chamar. Estamos sem querer estar, e a tradução disso em imagens é feita com a exatidão de quem já viveu isso. Essa busca incessante por algo que não se sabe o que é, um significado, uma resposta sincera para algo que não se encontra explicação. Julia é provavelmente a parte que não queria estar solteira, mas sabemos que o fim é doloroso mesmo quando o desejamos. Essa ausência que vemos em Andrômeda, então, nos leva a que parte da psicologia humana? E o quanto disso é possível de representação imagética?
Enquanto curta-metragem, o filme não encontra um momento largo da existência. É um recorte fugaz do tempo, que já não está mais sendo vivido; somos testemunhas dos dias, dos movimentos. Por isso funciona, o que em duração superior encontraria um vácuo de interesse. Aqui, Gesser sabe perceber que seu recorte não carece de informações adicionais maiores ou profundas; nosso entendimento daquela dor nos coloca em partilha empática. Andrômeda mostra esses momentos imediatamente posteriores ao término, e como essa ausência de sentido promove delírios que, prostrados, não percebemos o impulso adiante de tais eventos. (Francisco Carbone, site Cenas de Cinema)